segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Apesar da política econômica de juros altos, o Paraná resiste

Aos poucos, os empresários brasileiros vão recuperando o otimismo e a confiança na melhoria da economia brasileira. Na semana que passou a Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgou o índice de confiança do empresário industrial (ICEI), que avançou 3,1 pontos em fevereiro deste ano, na comparação com janeiro, para 53,1 pontos.

A entidade fez pesquisa com 3.080 empresas de todo o país. De acordo com a metodologia, valores abaixo de 50 pontos indicam falta de confiança do empresário. Já os valores acima de 50 indicam confiança, que é maior conforme aumenta o índice.

Segundo a CNI, o índice de fevereiro se aproxima do registrado em setembro de 2016, quando ficou em 53,7 pontos, o maior nível desde janeiro de 2014. Na comparação com o mesmo mês do ano passado, o indicador apresentou crescimento de 16 pontos.

Ainda que lentamente, começam a surgir os primeiros sinais de que o cenário parou de se deteriorar em vários setores da economia. A produção industrial em dezembro do ano passado cresceu 2,3% em relação ao mês anterior, segundo dados divulgados pelo IBGE. A produção da indústria brasileira terminou o ano com taxas positivas em 10 das 14 regiões pesquisadas.

A indústria do Paraná registrou forte expansão em dezembro em relação ao mesmo período do ano passado, com avanço de 6,5%. Foi a segunda maior alta do País nessa base de comparação, atrás apenas do Pará (10,1%). Na comparação com o mês imediatamente anterior, com o ajuste sazonal, a alta foi de 0,8%, a terceira taxa positiva consecutiva. Com isso, o Estado encerrou o quarto trimestre de 2016 com avanço de 3,3% na produção industrial em relação ao mesmo período de 2015.

O Paraná começou o ano com crescimento tanto das exportações quanto das importações. As vendas externas cresceram 10,8% em janeiro em relação ao mesmo período do ano passado, passando de US$ 871,2 milhões para US$ 965,6 milhões. As importações inverteram a tendência de queda do ano passado e voltaram a crescer, com alta de 30% em janeiro na comparação com o mesmo período do ano passado, de US$ 737,6 milhões para US$ 958,9 milhões. As exportações foram impulsionadas pelo crescimento de 38% de carne de frango in natura. O setor ocupou, em janeiro, o primeiro lugar na pauta de exportações do Estado, com uma participação de 19,6%. As exportações passaram de US$ 137,3 milhões, em janeiro de 2016, para US$ 189,5 milhões em janeiro de 2017. O Paraná exporta frango para mais de 160 países e responde por 35% dos embarques do produto no País.

É do campo que vem as melhores notícias. A Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) elevou a sua previsão para a produção de soja no Brasil em 2016/2017, para 104,6 milhões de toneladas. A safra de milho do pais deverá saltar para um recorde de 89.6 milhões de toneladas.

A expectativa de uma safra recorde esta girando a roda da economia paranaense e propicia um ambiente favorável ao investimento em tecnologia, maquinas e equipamentos.

Segundo a Secretaria de Agricultura, o Paraná deve voltar a ser o campeão de produtividade na soja e no milho na safra de 2017, de acordo com levantamento do IBGE. Depois de ficar na sexta colocação no ranking da soja em 2016, por conta da quebra da safra, o Estado deve liderar o rendimento nesse ano, com 3.456 quilos por hectare, contra 3.087 quilos por hectare em 2016.

O Paraná deve superar Santa Catarina (3.431 quilos por hectare) e Minas Gerais (3.206 quilos por hectare). O Mato Grosso deve ficar bem atrás, com 3.146 quilos. A média brasileira é estimada em 3.126 quilos por hectare. Atrás apenas do Mato Grosso, o Paraná é o segundo maior produtor de soja, com previsão de produzir 18,5 milhões de toneladas nesse ano, 9,8% acima da safra anterior, de acordo com a estimativa do IBGE.

As cooperativas paranaenses também têm motivos para comemorar. A Coamo anunciou que teve um crescimento de 7,3% nas receitas globais, somando R$ 11,4 bilhões. A cooperativa de Campo Mourão, que é a maior cooperativa agrícola da América Latina, está dividindo R$ 338 milhões em lucros com os agricultores cooperados.

Os mais de 20 mil associados começaram a receber parte dos valores no fim de 2016 mas a maior parte será dividida agora.

Em Cascavel, o Show Rural Coopavel reuniu público recorde de 253 mil pessoas, no evento que aconteceu de 6 a 10 de fevereiro. A feira movimentou R$ 2 bilhões em apenas uma semana e vai impulsionar o agronegócio da região Oeste durante o ano todo.

Os organizadores da ExpoLondrina, – a Feira do Paraná – que ocorre de 30 de março e 9 de abril, no Parque de Exposições Governador Ney Braga, estimam um movimento mínimo de R$ 400 milhões.

Alias, as cooperativas paranaenses são exemplo de governança e planejamento estratégico. O Plano Estratégico Paraná Cooperativo (PRC 100) prevê alcançar R$ 100 bilhões de faturamento até 2020. O faturamento chegou a R$ 60,4 bilhões em 2015.

Que esse vento de esperança que vem do campo traga um novo alento a economia.

Luiz Cláudio Romanelli, advogado e especialista em gestão urbana, é deputado pelo PSB e líder do governo na Assembleia Legislativa.

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